Na noite que deveria ser de celebração pela vitória do Santos sobre a Universidad Central pela Copa Sul-Americana, a zona mista da Vila Belmiro se transformou no palco de uma despedida histórica. Com a voz pausada e o semblante de quem carrega o peso de cicatrizes profundas, Neymar confirmou oficialmente sua aposentadoria da Seleção Brasileira, aos 34 anos.
“Meu momento na seleção brasileira já foi. Fiz história, fui muito feliz, dei meu sangue, minha vida, sempre briguei e lutei pela Amarelinha, mas eu acho que não quero mais, não”, declarou o camisa 10, encerrando de vez as especulações que pairavam desde a eliminação traumática na Copa do Mundo de 2026.
O último capítulo de Neymar com a Amarelinha foi escrito com lágrimas e frustração. Na derrota por 2 a 1 para a Noruega, pelas oitavas de final do Mundial, Erling Haaland anotou os dois gols noruegueses enquanto o craque brasileiro descontou de pênalti nos acréscimos, um gol que não evitou a queda, mas acendeu uma última faísca de polêmica. Após o apito final, Neymar se envolveu em uma discussão ríspida com o goleiro Orjan Nyland e dividiu opiniões sobre sua conduta.
A trajetória de Neymar pela Seleção principal se encerra com marcas imponentes: 80 gols e 58 assistências em 130 partidas. Apesar da constância individual extraordinária, o baú de conquistas com a equipe principal guarda apenas a Copa das Confederações de 2013. A medalha de ouro olímpica de 2016, tão celebrada e emocionante, veio com a equipe sub-23.
Em quatro Copas do Mundo disputadas, o atacante gravou seu nome entre os maiores artilheiros da história da Seleção na competição, com nove gols, entrando no top-3 histórico. Também igualou Pelé, Gilmar e Leão no número de partidas em Mundiais: 14 jogos vestindo a camisa mais pesada do futebol mundial.

