A Polícia Civil do Amazonas confirmou que o delegado Fabiano Rosas, titular do 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e um investigador tentaram extorquir a quantia de R$ 30 mil de um empresário durante uma abordagem ilegal realizada nas proximidades do Porto de Manaus. A prisão em flagrante dos dois ocorreu na noite desta quinta-feira (16) e ambos devem passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (17).
Segundo o relato das vítimas, o delegado e o investigador, que estava à paisana, pressionaram o comerciante a revelar a existência dos valores.
Após a confissão sobre os R$ 30 mil guardados na embarcação, o empresário e o segurança foram colocados dentro de uma viatura descaracterizada do 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e levados para dar voltas por ruas da Zona Sul da capital.
Durante o trajeto, a dupla de policiais civis teria tomado posse do dinheiro sob o pretexto de “apreensão”, mas sem realizar qualquer registro oficial da ocorrência ou lavrar os procedimentos legais cabíveis. Além da quantia em espécie, o delegado Fabiano Rosas também recolheu a arma de fogo do policial militar que fazia a escolta.
Prisão e desfecho
Após serem liberados em uma avenida da cidade, o policial militar acionou imediatamente a Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam). Uma equipe da Polícia Militar iniciou as buscas e conseguiu interceptar o veículo descaracterizado utilizado na ação. Os militares, a princípio, não sabiam que os ocupantes eram agentes da Polícia Civil.
No momento da abordagem, apenas o delegado Fabiano Rosas estava dentro do carro. Ele se recusou a descer do veículo e resistiu à ordem policial, sendo necessário o uso de força para retirá-lo e algemá-lo. Um vídeo gravado por uma testemunha e que circula nas redes sociais mostra o momento em que o delegado está deitado no asfalto, já rendido pelos militares.
Posteriormente, outro delegado da Polícia Civil chegou ao local da detenção e solicitou a um tenente da PM que Fabiano fosse retirado da viatura da Rocam. O pedido foi atendido, e o suspeito foi encaminhado ao 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) para a lavratura do auto de prisão em flagrante. O investigador que participou da ação também foi localizado e detido em seguida, sendo conduzido à mesma unidade policial.
O delegado Marcelo Martins, responsável pelo 24º DIP e que presidiu a lavratura do flagrante, classificou a conduta dos colegas como crime de extorsão.
“A partir da oitiva das vítimas e da constatação de que não houve nenhum procedimento oficial instaurado, concluí pela ocorrência do crime de extorsão. Lavrei o auto de prisão em flagrante contra o delegado e o investigador”, declarou o delegado.
Durante o interrogatório, tanto Fabiano Rosas quanto o investigador optaram por permanecer em silêncio.

