A morte de um jovem de 20 anos e o desaparecimento de outro de 18, no domingo (12), em uma área de garimpo no município de Novo Aripuanã (a 225 km de Manaus), expõem os perigos do chamado “arroto”, fenômeno causado pela atuação de balsas de garimpo ilegal que revolvem o leito dos rios, criando buracos, redemoinhos e alterações perigosas na correnteza.
As vítimas são Vicente Mateus da Costa Nogueira, 20 anos, que morreu no local, Gabriel Expedito Reis dos Santos, 18, que segue desaparecido, e Andrey Trindade, 16, resgatado com vida e hospitalizado. Eles caíram em um trecho do rio transformado pela ação de dragas ilegais.
O “arroto” é resultado direto do funcionamento de balsas ou dragas de garimpo ilegal. O maquinário utiliza uma ponta metálica chamada “abacaxi” que perfura e revolve o fundo do rio, enquanto uma motobomba suga a água e a lança de volta com força, criando:
- Buracos profundos no leito do rio
- Redemoinhos e correntes imprevisíveis
- Áreas de turbilhonamento que podem puxar banhistas para o fundo
Esse processo altera drasticamente a topografia do rio, criando armadilhas subaquáticas mesmo em áreas antes seguras para nado.
Equipes do Corpo de Bombeiros continuam as buscas por Gabriel Expedito. O prefeito Raymundo Lopes (União Brasil) lamentou o ocorrido: “Recebo com profunda tristeza a notícia do falecimento precoce do jovem Vicente Mateus […] que a fé nos sustente e traga esperança”.
O caso ilustra como o garimpo ilegal, além dos danos ambientais já conhecidos, cria riscos diretos à vida humana pela transformação de rios em ambientes traiçoeiros e mortais.

