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Política

Deputados focam em buraco e ignoram crise na saúde e segurança no AM

FOTO: Divulgação

Na 54ª Sessão Ordinária da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), o foco dos deputados estaduais foi um acidente na avenida Djalma Batista, em Manaus. Mas o que deveria ser um debate sobre infraestrutura urbana se transformou em palco para ataques, apontamentos de dedo e, principalmente, omissão diante de um problema muito mais grave: o colapso da saúde pública no estado. O episódio escancarou a falta de prioridade dos parlamentares, especialmente do presidente da ALEAM, Roberto Cidade (União Brasil), do Delegado Péricles e de Sinésio Campos.

Em plenário, o deputado Daniel Almeida se insurgiu contra a narrativa dominante e escancarou a contradição: “A avenida foi toda recapeada recentemente. Mas eu não vejo o presidente desta Casa nem os colegas deputados se preocupando com o caos no Hospital 28 de Agosto, João Lúcio, Platão Araújo e Delphina Aziz. Nesses hospitais estão morrendo centenas de pessoas por falta de profissionais e medicamentos”, disparou

A crítica ganhou força porque a gestão do governador Wilson Lima (União Brasil) tem sido alvo de denúncias constantes de má administração na saúde, segurança pública e educação. Ainda assim, a maioria dos deputados estaduais tem mantido silêncio. Para Almeida, há um claro conluio entre o Executivo e o Legislativo: “Vocês estão fazendo guerra por causa de um buraco, mas passam pano para a desastrosa gestão do governador. Isso é vergonhoso”, afirmou.

O clima esquentou quando Almeida apontou o dedo diretamente para o presidente Roberto Cidade, exigindo uma postura mais combativa da casa legislativa. O embate se acirrou com a intervenção do Delegado Péricles, que saiu em defesa da presidência e trocou acusações com Almeida. A discussão virou espetáculo, mas o conteúdo revelou uma verdade incômoda: a ALEAM está alheia à dor real da população.

Enquanto o Legislativo se degladia por um problema viário isolado, pacientes seguem morrendo à espera de atendimento médico em Manaus e no interior. Dados de sindicatos e conselhos regionais indicam falta de insumos básicos, como dipirona e soro fisiológico, além de leitos superlotados e escalas desfalcadas em unidades de referência. A crise não é nova, mas parece invisível aos olhos dos deputados.

O contraste é gritante: uma avenida recapeada virou motivo de indignação pública, mas as mortes silenciosas nos corredores dos hospitais seguem sem representação. A política do espetáculo tomou o lugar da fiscalização séria. E a população, sem voz na ALEAM, continua refém da inércia parlamentar

A indignação de Daniel Almeida rompeu o protocolo e expôs aquilo que muitos preferem esconder: a Assembleia Legislativa se tornou cúmplice por omissão. “O senhor presidente precisa se levantar e ver a calamidade dos hospitais públicos. Estão fazendo alarde por causa de um buraco e todos vocês estão calados diante das mortes”, finalizou o deputado, em um discurso que reverberou pelas galerias

Enquanto a base governista finge indignação com buracos nas ruas, pessoas estão morrendo nos corredores dos hospitais por pura negligência. A disputa política contra a prefeitura é só cortina de fumaça. O que ninguém quer encarar é o verdadeiro buraco do Amazonas: um sistema público em colapso, onde a saúde sangra, a segurança desaparece e a educação apodrece. Está tudo desabando.

Procuramos os deputados e questionamos os motivos do silêncio diante dos inúmeros problemas e da má gestão do governo no estado. No entanto, até o fechamento desta matéria, não obtivemos resposta.

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