O cachorro Ted, que sofreu queimaduras graves após ser deixado em uma máquina de secagem em um pet shop clandestino de Cuiabá, vem apresentando uma evolução clínica satisfatória. Segundo os boletins médicos mais recentes, o animal já consegue caminhar, se alimentar sozinho e apresentou melhora significativa na função renal.
O caso, que gerou forte comoção e indignação na capital mato-grossense, segue sob rigorosa investigação da Polícia Civil e da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema).
Internado sob cuidados intensivos, Ted passou os últimos dias estável. De acordo com o médico-veterinário responsável pelo acompanhamento, os exames apontam para a recuperação de indicadores biológicos cruciais que antes ameaçavam a vida do cão.
O índice que mede o funcionamento dos rins recuou para 2,7, mostrando que o órgão voltou a expelir metabólicos de forma mais normalizada. Logo após o acidente, o animal apresentava 50% de comprometimento renal. O indicador de glóbulos vermelhos está em 24%. Embora apresente oscilações comuns para o quadro, permanece acima do limite crítico de 20%.
Ted está sendo estimulado a caminhar pelo menos quatro vezes ao dia e já iniciou o processo de desmame dos analgésicos para dor.
O crime ocorreu no dia 13 de maio, no bairro Jardim das Palmeiras. A tutora de Ted, Maria Lucilene, relatou que o animal foi retirado em sua residência às 8h30 para o serviço de banho e tosa. No entanto, somente às 17h ela recebeu uma mensagem da proprietária do estabelecimento afirmando que “houve um problema” e que o cão havia “se queimado na máquina de secar”.
Ted foi devolvido à família enrolado em uma manta, com pomada para assadura espalhada pelo corpo e em estado gravíssimo. Ao levarem o cão às pressas para o hospital veterinário, os tutores receberam o diagnóstico de queimaduras graves de segundo grau e alto risco de morte.
As investigações lideradas pelo delegado Guilherme Pompeo, titular da Dema, apontaram uma série de irregularidades no local onde o crime aconteceu. Fiscalizações do Procon Municipal e de órgãos da Prefeitura de Cuiabá constataram que o pet shop operava de forma clandestina, sem alvará de funcionamento e sem um responsável técnico veterinário.
O inquérito policial segue em andamento para apurar a responsabilidade criminal dos envolvidos pelos crimes de maus-tratos a animais com resultado de lesão grave e a tentativa de ocultar as provas do ocorrido.

